Autônomo e Freelancer: vale a pena separar a conta pessoal da empresa ?

A natureza do trabalho de quem é autônomo é simples: se trabalha, fatura; quando não pode trabalhar, a receita não aparece. Isso traz um enorme desafio para as finanças, principalmente por conta de três aspectos que vamos discutir em mais detalhes:

Necessidade de separar o dinheiro da empresa do pessoal;
Sazonalidade;
Ausência de garantias.
Autônomo e freelancer: separe o dinheiro da empresa do pessoal
Ao atuar como um freelancer ou autônomo, você provavelmente tem um CNPJ. E possivelmente tem uma conta bancárias em nome de sua empresa. Pois bem, isso é importante e necessário, mas precisa ser administrado da maneira certa.

Segundo uma pesquisa do SPC Brasil, mais de um terço dos brasileiros assume que o controle financeiro não é um hábito. Sabemos que o número real de pessoas que não cuida das finanças pessoais é muito maior e por isso criamos a Grão e acreditamos na jornada da educação financeira.

O problema do autônomo/freelancer começa a surgir quando ele considera que o dinheiro da empresa é a mesma coisa que seu dinheiro. Algo como “Se a empresa sou só eu, então o dinheiro da empresa é o meu salário”. Você acha que isso faz sentido?

Na prática, o que acontece a partir deste pensamento é que só existe uma conta e todas as despesas, do negócio e da pessoa física, passam a ser pagas por ela. Boletos, fatura do cartão de crédito, tudo passa a ser pago desta conta. Agir assim é um erro.

Sua empresa é sua empresa, e ela tem suas próprias contas e necessidades em termos de fluxo de caixa e gestão financeira. Ela ganha dinheiro e, deste dinheiro, uma parte deve ser a sua retirada, mais como pró-labore que como salário.

Além do mais, sua empresa precisa ter as finanças devidamente gerenciadas com cuidado e profundidade, inclusive com auxílio de contadores experientes para que toda a documentação contábil esteja em dia e represente a realidade do seu negócio. Pagar uma conta pessoal com a empresa não se encaixa nisso, certo?

O caminho para colocar isso em prática passa por separar o dinheiro da empresa do pessoal. Algumas sugestões para colocar isso em prática:

  1. Comece um controle financeiro para a empresa e outro para você

Na empresa, faça o controle com a ajuda de um contador e, assim, apurem os resultados dos períodos e uma forma de registrar o fluxo de caixa à medida que os dias passam – pode ser em um caderno de fluxo de caixa ou planilha simples.

No lado pessoal, a ideia é a mesma, mas o foco deve ser conseguir enxergar sua realidade financeira em detalhes. Aqui, nada de economizar na categorização dos gastos e nos lançamentos. Registre tudo para que você consiga saber como e com o que anda gastando seu dinheiro.

Para ajudá-lo no lado pessoal, nós criamos uma planilha gratuita de controle financeiro. A ideia é que, mês a mês, você registre tudo que gasta em categorias e, com isso, possa analisar seu histórico e tomar melhores decisões.

  1. Estabeleça uma retirada fixa mensal a partir do caixa da empresa

O pensamento clássico de que o faturamento da empresa pode ser a referência para a retirada mensal é perigoso. A boa gestão financeira de um negócio sempre preconiza que não se deve tomar todo o lucro líquido da empresa só porque isso é possível.

A recomendação é sempre estabelecer um valor fixo e, fazendo sentido, uma bonificação quando determinados resultados forem alcançados. Se a empresa faturar mais, ótimo, você poderá ter um total maior como sócio, mas sem promessas ou garantia de que isso vai sempre ocorrer.

Uma regra simples para começar é usar o mês de menor faturamento da empresa e, a partir dele, estabelecer o valor fixo que você vai retirar todos os meses. Claro que você não vai considerar todo o lucro do mês de menor faturamento, mas uma parte dele – digamos entre 80% e 90%, mantendo um pouco no caixa do negócio.

  1. Tenha contas bancárias diferentes

Dinheiro da empresa na conta bancária dela; seu dinheiro pessoal, na sua. E a retirada mensal vai ser uma atividade financeira devidamente registrada pela contabilidade. A movimentação do dinheiro desta forma preserva sua empresa e garante a você maior controle sobre ela.

  1. Contabilize tudo

Lembre-se da importância de cuidar da sua empresa como um verdadeiro negócio, não como uma extensão da sua vida pessoal. Neste sentido, é essencial registrar tudo conforme necessidades contábeis e manter um histórico decente das transações da empresa. Para fazer a empresa crescer e faturar mais, isso é fundamental.

  1. Administre a sazonalidade

Sim, nós sabemos que em alguns meses o autônomo/freelancer fatura mais, enquanto em outros a receita cai. Os períodos de queda compõem o que se costuma chamar sazonalidade, e isso precisa ser conhecido para que possa ser administrado.

Uma de nossas sugestões foi que você usasse a receita do pior mês do ano para definir sua retirada, e isso acontece justamente para que você possa olhar com mais cuidado para o faturamento do período com o objetivo de entender o que aconteceu ali.

Se é normal ter meses com queda de receita, então você terá que ter uma reserva para garantir que estes períodos possam ser encarados sem tanta preocupação. Se você mantiver 10% do lucro líquido da empresa todo mês na conta dela, em um ano isso vai resolver o problema. Experimente!

Crie suas próprias garantias

Quando se trata de trabalhar como autônomo ou freelancer, não há garantia de que o mês seguinte será melhor que o atual. Sem estabilidade e dependendo do próprio esforço, você precisa ser e criar a sua própria garantia.

Sua capacidade de trabalhar é parte do que continuará gerando frutos, mas se você aprender a juntar dinheiro o processo fica muito mais interessante. Emergências acontecem com muito mais frequência do que desejamos e sua reserva pode servir como capital de giro nestes momentos. 

Gostou do post conheça a GRÂO uma fintech que vai fazer você querer mudar a sua relação com o dinheiro.

A equipe da Grão está ao seu lado para compartilhar lições inteligentes sobre como cuidar melhor do seu dinheiro (e da sua empresa, claro). Por aqui, a educação financeira é uma jornada e se sua empresa fica bem, cresce e se destaca, você também melhora e alcança mais objetivos.

Todos os dias você vai encontrar dicas, sugestões, artigos, ferramentas e muita informação de qualidade em todos os nossos canais de mídia e redes sociais, então siga-nos no Instagram, Facebook e Youtube.

Agora que você entendeu a importância de separar o dinheiro da empresa do pessoal, comece a guardar para formar sua reserva de emergência e crie o hábito de juntar dinheiro com a nossa ajuda. Vem pra Grão!

Foto por Willian Iven.

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Respostas

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  1. Muito bacana o artigo, parabéns! Só queria fazer uma observação sobre a retirada de lucros: quando é feita mensalmente, é considerada como antecipação, visto que o lucro mesmo é apurado apenas no final do ano. Por isso, para Microempresas do Simples Nacional (como é o meu caso), existe um limite de antecipação mensal de lucros, baseado no lucro presumido de 32% sobre o faturamento (a não ser que a empresa mantenha escrituração contábil regular, o que geralmente não é o caso). Nesse caso, não é permitido retirar da PJ para a PF 80%, 90% do faturamento mensal.

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