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Home Fóruns História do Áudio Brasil e no Mundo Fotos Antigas dos Bastidores de Shows e Eventos pelo Brasil Responder a: Fotos Antigas dos Bastidores de Shows e Eventos pelo Brasil

  • Lazzaro

    Administrador
    18 de maio de 2021 em 17:31
    323

    CARLOS CORREIA. (1)

    Acredito que foi no ano de 1976 que estava sentado numa mesa de som dentro do Teatro Castro Alves e após o show, se apresentou para mim um cara novinho e meio gordinho e começou a falar de som. Estava recém chegado de Itabuna e percebi que ele estava muito interessado em aprender áudio. Estava ávido por informações e comecei a lhe passar algumas dicas básicas. Também eu sabia muito pouca coisa desse mundo maravilhoso do áudio. Ademais, ficamos de nos encontrar outras vezes e falei para ele que tinha umas revistas de áudio importadas que comprava cada vez que ia a São Paulo, pois só eram vendidas no Brasil, numa revistaria que ficava num edifício da Av. S. Luiz. Ele ficou louco quando falei destas revistas. No dia seguinte ele já estava pegando as revistas. Passado alguns dias, ele me procurou novamente para me devolver as revistas e dizer que tinha feito a assinatura delas. E foi assim que conheci o Carlos Correia. E foi mais ou menos dessa maneira que começou a carreira profissional do maior cientista do áudio no Brasil no tocante a caixas de som. Eu que sabia quase nada dando algumas informações para o cara que mais tarde seria o grande conhecedor de caixas acústicas e foi exatamente com ele que aprendi o pouco que hoje eu sei. Nós viemos de uma época muito difícil para o áudio no Brasil. Era proibido fazer importação. A indústria de alto falantes era muito precária. O Carlos Correia logo aprendeu muita coisa sobre alto falantes e caixas acústicas. Com os precários alto falentes disponíveis no mercado, os mais potentes falantes de 15 polegadas eram de 100 Watts. De 18 polegadas, não existiam. Naquela época o Carlos já tinha descoberto que, para a caixa ter eficiência, tinha que ser em formato de corneta. Foi a maneira correta e única para fazer um precário alto falante ter eficiência. E assim surgiram os primeiros projetos de Carlos Correia para a minha empresa. Inclusive foram umas caixas enormes e pesadas. Mas não tinha outra alternativa. E assim o Carlos foi aprendendo cada vez mais e sempre nos ajudou muito com a sua sabedoria e muitos outros projetos foram surgindo à medida que o mundo do áudio profissional foi evoluindo. Com a chegada da Axé Music, o Carlos já estava bastante conhecido no mercado. Tornou-se o técnico de som do Bloco Eva onde fez um projeto de som muito especial para o Trio Elétrico do bloco. Com este projeto o Trio do Eva tinha um dos melhores sons entre todos os trios. A partir daí, todos os trios queriam um projeto de Carlos Correia. O trio que não tinha um projeto seu, não conseguia se posicionar bem no Carnaval de Salvador. Só que nem todo mundo queria pagar um projeto de Carlos. Então começaram a surgir as cópias dos projetos de Carlos um tempo depois tinha até as cópias das cópias, mas os donos de trios sempre diziam que eram projetos de Carlos Correia. Além de fazer os projetos, Carlos ainda foi técnico de som de alguns artistas como Ivete, Daniela e outros mais. Depois ele foi consultor de Áudio da Selenium, Beyma da Espanha e outras empresas. Durante uma boa parte da minha vida e da de Carlos Correia, frequentávamos as feiras de áudio profissional nos Estados Unidos e na Alemanha. O Carlos era uma colhetadeira de folhetos técnicos nestas feiras. Depois de um dia de feira, era difícil transportar da feira para o hotel a quantidade absurda de folhetos e revistas que ele havia recolhido. Depois do jantar ele já ia separando os vários folhetos, empacotando e já colocando em uma das malas. Depois de uma das Musikmesse em Frankfurt, ele estava com uma bagagem tão grande e tão pesada que resolvemos ir antes na Varig para saber quanto ia dar de excesso. Lembro que cada um de nós, tinha diteito a 63Kg. Fora a papelada, tínhamos quase nada.

    O excesso seria tão absurdo que ele ia pagar mais caro que a passagem dele. O excesso foi mais de 120Kg. Lembro que ele ainda tinha o direito a 63Kg. mais uns 15Kg. que ia trazer na mão. O pessoal da Varig o aconselhou a ir ao terminal de carga do Aeroporto e despachar como carga. No dia seguinte pela manhã fomos lá e foi bem melhor. O nosso vôo era à noite e deu tudo certo.

    Na época que a Axé Music estava no alto, uma revista alemã que se chama Production Partner enviou para Salvador o Swen Muller para fazer uma reportagem sobre os Trios Elétricos e fazer uma entrevista com o Carlos Correia. Por ser uma revista técnica, e é uma das mais importantes do mundo, o foco foi nos Trios para mostrar para o mundo as tecnologias usadas. A entrevista com Carlos durou a tarde inteira. O Vavá Furquim e eu também falamos alguma coisa. O fato é que o Swen pegou tanta informação que na edição lá na Alemanha, resolveram dividir em duas edições da revista. O Swen é tambem um cientista e estudioso do áudio. Quando ele entrou na empresa de Carlos Correia ele não acreditou no tamanho da biblioteca técnica que Carlos tinha. Disse que na Alemanha não existia uma biblioteca especializada com aquele tamanho.

    Mas o curioso é que, o principal da matéria onde tinha as fotos de Carlos Correia, saiu na edição de fevereiro de 2002 e logo depois a feira de Frankfurt. Esta revista era a principal da feira e durante o evento é distribuída gratuitamente. Os brasileiros que lá estiveram, não entenderam nada. Uma das principais revista do mundo e a principal revista da feira trás uma entrevista enorme com Carlos Correia. Além do mais tudo em alemão. O Swen fala português muito bem. Já morou no Brasil.

    Poderia falar muito mais do Carlos Correia.

    Mas vai ficar muito longo.
    Texto original: João Américo

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