SIMULE UMA SALA DE MIXAGEM PROFISSIONAL EM SEU HEADPHONE, DE GRAÇA.


Um dos mais persistentes mitos do mundo do áudio é que não se deve mixar ou masterizar fazendo o uso de headphones (fones-de-ouvido). Alguns defendem que headphones apenas podem oferecer uma segunda opinião sobre o teu trabalho ou um diferente ponto-de-vista em relação à audição através de monitores de referência. Eu discordo destas afirmações, pois, na minha opinião existe o elemento chamado ‘referência’ que cada engenheiro de áudio carrega consigo e ele é pessoal, histórico e subjetivo também. Se o(a) profissional está habituado a trabalhar com uma certa referência (experiência) sonora, que seja proporcionada a ele(a) através de um par de monitores, um par de headphones, o som do seu carro, uma boombox antiga ou até mesmo uma TV de tubo em mono, tal equipamento é vital para o seu processo produtivo, pois foi através daquele ‘par de monitores surrado’ que ele ouviu os grandes sucessos de Michael Jackson, Led Zeppelin, Daft Punk, Raça Negra ou qualquer outro artista que seja tomado por ele(a) como referência sonora. Tal fenômeno deu nascimento a ‘padrões técnicos’ que nos assustam à primeira vez que testamos como os monitores Yamaha NS-10 e os Auratone, por exemplo.
O Plugin Sienna Rooms Free está disponível de forma gratuita até 01 de Outubro de 2021.

Aqui está o link para um sensacional artigo onde rastrearam a origem da fama das Yamaha NS-10, que foi ganhando notoriedade entre os profissionais de áudio no boca-a-boca e cuja origem remota a um engenheiro de som desconhecido de algum studio em Tóquio, já que a linha NS da Yamaha até hoje é uma linha de alto-falantes de prateleira (caseiros)!

Os Yamaha NS-10 e os Auratone (apelidados de horrortone) são monitores muito badalados, mas que possuem uma resposta de frequência limitada e foram introduzidos na indústria criativa por profissionais que trouxeram para o estúdio a sua caixa de som pessoal ‘caseira’ ou por serem traquitanas que simulavam o sistema de som caseiro do consumidor médio. E elas acabaram ficando no studio e se multiplicaram nesse novo habitat. É fato que estes monitores de resposta de frequência limitada (resposta fraca de graves e agudos agressivos)‚ também permitem ao engenheiro focar sua atenção na porção mais importante de uma mix, a chamada midrange, região onde a voz habita e, para muitos, a voz é onde a grana está (risos). Alguns também afirmam que se você conseguir fazer uma mix soar bem em um par de NS-10, ela soará bem em qualquer outra caixa de som. E há um grande fundo de verdade nisso.

Voltando ao caso dos headphones: Se um profissional está acostumado a ouvir suas referências musicais através de um headphone, este se torna um elemento válido e indispensável para seu trabalho. Outros pontos positivos para com os headphones é que eles podem oferecer uma melhor inteligibilidade ao profissional que busca auscultar clicks, pops, ruídos e afins em sua mix, além de que, atualmente, grande parte do público consumidor de música escutará música através de um par de headphones, então, este é um argumento muito válido para se considerar tal recurso de monitoração como relevante e imprescindível para muitos.

O dilema dos graves em headphones

A tecnologia atual nos permite superar um problema físico que a audição em headphones enfrenta: A reprodução dos graves de forma não-natural, diferente de como obtemos ao ouvir música através de caixas de som. Ao ouvirmos através de caixas de som, os graves da caixa esquerda atingirão ambos os ouvidos, esquerdo e direito, porém com uma diferença de tempo de chegada do som a cada um dos pavilhões auditivos (orelhas, para os íntimos). O mesmo se passará aos graves reproduzidos pela caixa direita e esta diferença de tempo de chegada do som, nos cria a sensação estereofônica (stereo). Este fenômeno sofre uma distorção ao escutarmos através de headphones, pois os graves do phone esquerdo não atingirão o ouvido direito e nem vice-versa. Isto cria uma distorção na forma como percebemos os graves (baixas frequências) através dos headphones, pois estes deveriam soar quase que num padrão omnidrecional, com difícil detecção da sua origem no panorama sonoro da mix (os graves de uma música, reproduzidos por um par de monitores, quase sempre soam no centro da mix, na chamada ‘posição fantasma’ entre as caixas de som), tal como quando ouvimos o som de instrumentos musicais acústicos ou através de caixas de som.

Ilustração dos diferentes tempos de chegada da reprodução em stereo. Créditos: UCDavis

Aí entra a experiência binaural, cuja missão é recriar a experiência natural de audição, porém através de headphones. A nossa audição também é classificada por este termo, pois possuímos dois microfones omnidirecionais em nossa cabeça e a diferença de tempo de chegada do som a cada um destes microfones (ouvidos) será computada pelo cérebro e nos dará uma indicação da origem posicional da fonte sonora cuja emissão nos atinge. Alguns plugins têm tentado recriar esta experiência através de uma função chamada HRTF (Head-Related Transfer Function) que é uma função matemática que descreve a experiência auditiva humana, onde (em alguns modelos) é requerido pelo plugin que se forneça as medidas de circunferência da cabeça do usuário e também a distância entre os ouvidos do mesmo. Este é o caso do plugin Waves Abbey Road Studio 3, (que pode ser adquirido com desconto usando este link para um cupom de desconto)

O plugin Waves Abbey Road Studio 3 recria a experiência auditiva do famoso estúdio com o mesmo nome.

O Waves Abbey Road Studio 3 recria nos headphones a sensação espacial de se escutar a mix através de qualquer um dos 3 sets de monitoração do estúdio 3 de Abbey Road: Near-field (um par de monitores sobre a meter bridge da console), Mid-field (falantes hi-fi de alta definição) e Far-Field (caixas de som grande com subs), além de permitir a aplicação de um filtro de correção de resposta de frequência para alguns dos mais populares headphones de estúdio como os Audio-Technica ATH-M50X, Sennheiser HD 280, Sony MDR-7506 e outros. Uma função interessante é a possibilidade do rastreamento da posição da cabeça do ouvinte em tempo-real através de uma webcam e sensor de cabeça (opcional, instalado ao headphone) ancorando no espaço virtual a posição dos monitores de estúdio, mesmo que você mexa a cabeça, eles permanecerão lá, ao redor da tela do teu computador. A experiência é incrível e torna muito prazerosa a audição de música em headphones. Uma versão demo do plugin pode ser baixada e testada sem limitações por 7 dias, e se quiser comprá-lo use este link para um cupom de desconto exclusivo). Recentemente a Waves também anunciou um novo plugin que promete a simulação de outro estúdio famoso, o Ocean Way Nashville, através do plugin NX Ocean Way Nashville (que também pode ser testado por 7 dias de forma gratuita e adquirido com desconto através deste link para cupom).

Outro plugin que promete oferecer uma semelhante experiência é o Sienna Rooms, cuja versão free pode ser baixada gratuitamente até 01 de Outubro de 2021 neste link. O Sienna Rooms foi desenvolvido levando-se em conta a experiência subjetiva dos desenvolvedores com a ajuda de recursos de inteligência artifical (AI) e oferece uma lista extensa de modelos de headphones que possuem filtros de correção de resposta de frequência incluindo até alguns modelos in-ear como os Shure SE 315 e os Sennheiser IE40. Em sua versão PRO, oferece diversos controles de ajuste de espacialidade e até conrole do ganho acústico de sala.

O Sienna Rooms em sua gloriosa versão PRO.

Na prática, a versão FREE do Sienna Rooms se sai muito bem em corrigir o dilema da reprodução dos graves através dos headphones, recriando uma experiência binaural convincente. A versão PRO oferece a possibilidade de aquisição de vários pacotes adicionais de salas, monitores de referência e até ambientes diversos de audição musical como estúdios, cinema, supermercados, clubes e diversos dispositivos de consumidor. Na minha opinião, o Waves Abbey Road Studio 3 oferece uma sensação espacial mais realista do que a versão FREE do Sienna Rooms, mas obter a experiência binaural de forma gratuita como o Sienna Rooms FREE permite é muito melhor do que injeção na testa, não é mesmo? (risos).

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De Jerusalém,

Tairo Arrabal

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